Dr. Edmir Américo Lourenço

CRM: 26.252

Professor Titular da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí – SP

OTOLOGIA



PERDA AUDITIVA E SUA PREVENÇÃO


Mais de 10% da população do mundo tem problemas auditivos e até 2015, mais de 700 milhões de pessoas terão esse problema. Pessoas com mais de 65 anos, justamente as que mais freqüentemente têm problemas auditivos, são as que menos procuram o médico para testar a audição, talvez em virtude de julgarem que isso é normal para a idade. Sem um diagnóstico etiológico, isto é, da causa da perda, esta vai evoluindo com piora progressiva, agravada sim pelo avanço da idade, mas não em decorrência exclusiva dela.


O aumento da incidência de perdas auditivas preocupa os especialistas e se deve à crescente exposição ao barulho excessivo e ao envelhecimento da população em todo o mundo. Os pais devem tratar as infecções de orelhas de seus filhos e ter bom senso quanto ao nível de ruído do ambiente onde eles e seus filhos freqüentam. É preciso realizar um exame auditivo anual para pessoas de risco, expostas a ruídos excessivos. Adultos devem observar a percepção de mudanças na audição e crianças devem ser observadas em seu comportamento e atenção. Para brinquedos ruidosos deve-se tentar abafar ruídos com fita adesiva por exemplo. Outras fontes de ruído excessivo são ambientes de trabalho com máquinas de vários tipos, locais de cultos religiosos, casas noturnas, discotecas, som alto nos carros, grande tráfego de veículos terrestres, aéreos e a sobreposição de diversas fontes de barulho, podendo somar-se rojões, latidos de cachorro, aviões, conjuntos de pagode, metaleiros, estendendo-se às marteladas ou marretadas do pedreiro. Essa poluição não afeta somente os ouvidos, mas o corpo como um todo, aumentando a incidência de hipertensão arterial (pressão alta), irritabilidade, ansiedade, depressão, dor muscular, dor de cabeça, problemas de estômago, distúrbios do sono e dificuldade de concentração.


Apesar de ser uma grande curtição para os jovens, ouvir música alta com fones de ouvido pode ocasionar sérios problemas à saúde. Adolescentes devem ser alertados quanto uso de fones de ouvido do tipo abafadores externos tipo concha para ouvir MP3 players, porque estes abafam o som externo e torna desnecessário um volume muito alto para conseguir escutar a música. O tempo de exposição, o volume do som e a susceptibilidade individual podem levar à queda de audição por lesão de células da cóclea, além de zumbidos e tonturas. A queda auditiva nesses casos é mais lenta e difere da produzida por uma explosão ou um estrondo violento, que ocasiona perda aguda. Aos poucos, o indivíduo exposto à música alta passa a não escutar e não entender bem o que escuta. Alguns começam a tolerar mal sons altos, porque estes o incomodam e por vezes o indivíduo acha que está se acostumando com o ruído excessivo. Pode haver zumbido à noite e este é um grande sinal de alerta. Embora no início seja difícil a pessoa perceber a perda auditiva, parentes e amigos geralmente o alertam disso e é importante que sejam feitos exames para detectá-la e quantificá-la. O ideal seria que o walkman tivesse um alarme quando a emissão sonora se tornasse excessiva e lesiva, mas como não há, existe a necessidade de se prevenir evitando abusos da intensidade sonora excessiva. Lembrar que a perda auditiva é irreversível, isto é, não-recuperável, que as perdas auditivas são somatórias durante a vida e que o otorrinolaringologista é o médico especialista que poderá impedir que esta e outras perdas progridam.


O ideal é reconectar socialmente e emocionalmente as pessoas com dificuldades auditivas, com sua família e com a sociedade, por ocasionar problemas de comunicação.




Faça este TESTE DE AUDIÇÃO (responda SIM ou NÃO):


1. Você pede com freqüência para que as pessoas repitam o que disseram?


2. Você precisa aumentar o volume da televisão para entender o que dizem, quando assiste televisão com outras pessoas?


3. Você tem dificuldade para entender conversas entre várias pessoas juntas, com barulho de fundo?


4. Você acha que outros resmungam ou falam de forma não-clara?


5. Seus familiares, amigos e colegas lhe perguntam se você tem problema auditivo?


6. Você evita festas, eventos sociais devido ao barulho ou por não ouvir o que os outros dizem?


7. Em lugares ruidosos ou dentro do carro você tem dificuldade com conversas?


8. Você se sente estressado ou cansado quando precisa falar ou ouvir conversas longas?


9. Você precisa sentar-se próximo a pessoas que falam em reuniões, cultos religiosos ou mesas de jantar?


10. Você tem dificuldade para ouvir e entender o que lhe dizem quando não está vendo a pessoa?


11. Você tem dificuldade para localizar de onde vem o som?




• Se você respondeu SIM de 1 a 3 vezes – indica que tem dificuldades auditivas em algumas situações, comuns a todas as pessoas, porém se isto ocorre regularmente, há suspeita de perda auditiva. Consulte um otorrinolaringologista para investigar se essas dificuldades de audição são temporárias ou permanentes.


• SIM de 4 a 6 vezes – indica que você provavelmente tenha uma perda auditiva. Consulte um otorrino.


• SIM de 7 a 11 vezes – indica fortemente que você tenha uma perda auditiva. Consulte um otorrino.


Decibeis


Tabela 1: Limites de Tolerância - NR 15
Tempo de exposição permitido para ruídos contínuos ou intermitentes.
Nível Sonoro (dB) Máxima Exposição Diária Permitida
85 8 horas
90 4 horas
95 2 horas
102 45 minutos
105 30 minutos
115 7 minutos
Fonte: Ministério da Saúde do Brasil. Doenças relacionadas ao trabalho. Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde.

Por: Dr. Edmir Américo Lourenço


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